A implementação deste sistema foi recebida com entusiasmo por alguns passageiros, que, com a sua típica atitude descontraída, afirmaram que “pelo menos assim já não é preciso chatear-se a fazer fila”. Um passageiro de cabelo desgrenhado e mochila exageradamente grande, que parecia ter passado a noite a ver vídeos de gatos, comentou: “Isto é como uma lotaria, mas em vez de ganhar dinheiro, ganho a oportunidade de ficar preso num avião durante horas!”

O novo sistema de bilhetes de rifa foi apresentado de forma pomposa por um responsável do aeroporto que, com um sorriso nervoso e um fato que parecia ter sido escolhido às pressas, explicou que a ideia visa transformar a espera numa experiência mais divertida. “Queremos que os nossos passageiros sintam a emoção da incerteza! Afinal, quem não gostaria de começar as férias com uma dose de adrenalina e uma pitada de sorte?”, disse ele, enquanto tentava esconder a sua própria falta de entusiasmo.

Os bilhetes de rifa são distribuídos aleatoriamente ao longo da fila, o que significa que um passageiro com uma mala de mão e uma expressão de desespero pode muito bem ter uma chance maior de embarcar do que um viajante relaxado com um cocktail de frutas. “É o novo ‘lucky draw’ do aeroporto!”, exclamou uma passageira de óculos escuros e chapéu de palha, que estava claramente a aproveitar o momento para fazer uma selfie.

Os especialistas em aeroportos, ou pelo menos aqueles que se autodenominam como tal, já estão a especular sobre as implicações desta nova abordagem. Um perito em filas, que se apresentou com um grafismo de uma fila desenhada à mão no seu caderno, afirmou que “este sistema poderia aumentar a eficiência, mas também poderá criar um novo tipo de competição entre os passageiros, que poderão começar a trazer estratégias de jogo para o aeroporto, como um torneio de poker mas com malas em vez de cartas”.

Enquanto isso, os operadores de quiosques de café do aeroporto esfregam as mãos de contentamento, pois já se preparam para a avalanche de nervosismo que vai levar os passageiros a comprar mais café e pastéis de nata enquanto aguardam pela sua sorte. Uma funcionária de um quiosque, com um sorriso contagiante e um avental que já viu melhores dias, afirmou: “Se eles vão ficar mais tempo à espera, pelo menos que comprem algo para comer, não é?”

Com o novo sistema de filas em vigor, uma coisa é certa: o Aeroporto de Lisboa encontrou uma forma de transformar a espera num espetáculo. Agora, ao invés de apenas se queixarem da lentidão da fila, os passageiros podem também partilhar as suas experiências de “ganhar” a rifa ao embarcar. No fundo, quem precisa de um cartão de embarque quando se pode ter uma rifa? E assim, o aeroporto continua a ser um lugar onde a única constante é a incerteza… e, claro, a fila!