Sim, ouviram bem! A ideia é que os funcionários públicos, que frequentemente se queixam da distância entre a sua mesa e a areia, possam agora trocar o cubículo pelo areal. A nova medida, batizada de “Areia e Teclado”, permite que os trabalhadores do Estado desempenhem as suas funções a partir de espreguiçadeiras, desde que tenham um bom protetor solar e um copo de água à mão. O que poderia correr mal, não é verdade?

O Ministro da Administração Pública, conhecido pelo seu amor por chapéus de palha e por não se despir da sua gravata mesmo no verão, afirmou que esta nova medida visa “aumentar a produtividade e o bem-estar dos funcionários”. O que ele não mencionou é que a produtividade pode ser um pouco afetada pela presença de ondas ideais para surfar e pela tentação de fazer uma sesta sob a sombra de um guarda-sol.

“Quem precisa de uma mesa quando se pode trabalhar em cima de uma toalha de praia?” questionou uma funcionária pública, que se identificou apenas como “mãe de dois filhos e amante de cocktails tropicais”. “Claro que, às vezes, a areia entra no teclado, mas isso só dá mais sabor ao trabalho”, acrescentou, enquanto tentava afastar uma gaivota que parecia interessada no seu computador portátil.

Entretanto, os sindicatos, que sempre estão prontos a fazer barulho, já emitiram um comunicado a dizer que a nova política é uma “brilhante ideia que só pode ter sido inspirada por alguém que passou tempo demais a ver anúncios de férias”. E, claro, já pediram também que todas as reuniões sejam feitas “à beira-mar”, porque, segundo eles, “nada como discutir orçamentos enquanto se escuta o som das ondas”.

Os críticos da medida, que ainda preferem o ambiente mais tradicional do escritório, argumentam que trabalhar na praia pode ser uma experiência “desconfortável”, especialmente quando o computador começa a superaquecer sob o sol e a areia se transforma numa espécie de teclado alternativo. “Já imaginou tentar escrever um relatório enquanto tenta evitar que a sua bebida não se misture com o teclado?” disse um crítico, enquanto se perguntava se a nova linha de trabalho também incluía a possibilidade de fazer reuniões via Zoom com o fundo do mar.

Independentemente das críticas, o governo parece decidido a avançar com o plano. Afinal, quem não gostaria de trocar as paredes cinzentas do escritório por um cenário de areia branca e águas azuis? “Estamos a fazer história”, concluiu o Primeiro-Ministro, enquanto se preparava para a sua própria sessão de trabalho na praia, com um copo de sangria na mão e a promessa de que, no próximo pacote, incluirão também a possibilidade de trabalhar de um barco de pesca.