Enquanto isso, no Parlamento, um grupo de figuras responsáveis pela habitação — incluindo um orador com um ar sempre preocupado e uma gesticuladora entusiástica que parecia ter tomado café a mais — estava em pleno debate. A questão da habitação tornou-se uma verdadeira competição de malabarismo verbal, onde os políticos lançavam palavras ao ar como se fossem malabares. “É urgente encontrar uma solução habitacional que, como as tendas invisíveis, seja acessível a todos”, proclamou um dos oradores, enquanto tentava equilibrar uma pilha de relatórios em cima da mesa.

Os manifestantes, bem cientes do espetáculo que se desenrolava a poucos metros, decidiram entrar no espírito da coisa. “Vamos fazer uma performance!” gritou uma jovem com uma faixa que dizia “Casa para Todos!”, enquanto se preparava para entrar numa dança que misturava passos de ballet e movimentos de protesto. A multidão aplaudiu, e alguns até começaram a simular a montagem das suas tendas invisíveis, com gestos dramáticos e expressões sérias. “Isto é uma arte!”, exclamou um homem vestido de palhaço, que, ironicamente, era o único a ter uma tenda de verdade — um feito de um tecido tão colorido que poderia ofuscar qualquer debate político.

À medida que o debate parlamentar avançava, o orador preocupado tentou manter a calma, mas a situação escapava-se-lhe das mãos. “Precisamos de soluções habitacionais que sejam sustentáveis e acessíveis, mas... o que é que isso significa mesmo?” questionou, olhando para o seu colega com uma expressão de desespero. “Talvez devêssemos construir casas invisíveis também!” respondeu a gesticuladora, levando a audiência a uma onda de risadas, enquanto os manifestantes se contorciam de tanto rir ao lado de suas tendas invisíveis.

Quando o sol começou a pôr-se, o clima entre manifestantes e políticos tornou-se ainda mais surreal. Um grupo de manifestantes decidiu fazer um piquenique invisível, com comida que só eles podiam ver. “Apenas porque não temos casas, não significa que não possamos ter um bom lanche”, disse uma mulher de cabelo desgrenhado, segurando uma garrafa vazia como se fosse um cocktail. Os políticos, por sua vez, pareciam mais preocupados em manter a sua imagem do que em resolver os problemas da habitação, enquanto o público se perguntava se as soluções propostas eram mais reais do que as tendas.

Assim, entre risos, malabarismos verbais e tendas invisíveis, o dia terminou com a certeza de que, se houvesse um campeonato de criatividade, os manifestantes sairiam vencedores. Quem diria que a falta de casas poderia gerar tantas ideias brilhantes — e invisíveis? Enquanto isso, o Parlamento continuaria a debater, sem nunca realmente ver o que estava à sua frente: a necessidade urgente de soluções habitacionais que fossem tão palpáveis quanto as risadas que ecoavam na rua.